Resenha: O Potiguar

Título: O Potiguar
Autor: João Paulo Silveira
Editora: Independente
Páginas: 224
Ano: 2017


Livro recebido em parceria com o autor







Sinopse: Os índios Potiguaras lutam contra a colonização portuguesa.Um acordo com os franceses é feito para tentar barrar seu avanço, mas o inimigo está determinado a conquistar suas novas terras e ainda usá-los como mão de obra escrava.
Conseguirão os guerreiros potiguaras deter o avanço português em suas terras?
Acompanhe a história de amor e de luta de Kaluanã, um jovem índio, na defesa de sua tribo e de seus costumes, contra a pior das ameaças: o homem branco.
Um romance que mistura ficção e fatos históricos, ocorridos na época do descobrimento do Brasil, ao longo do litoral nordestino.
Junte-se a esse embate, ocorrido há mais de quatrocentos anos, no berço de formação do Brasil.

Em O Potiguar vamos acompanhar a chegada de treze embarcações no Monte Pascoal que foi renomeada para Ilha de Vera Cruz e logo em seguida para Terra de Santa Cruz. O local agora "descoberto" já é habitado a muitos anos por uma tribo chamada Potiguara. Os exploradores vieram tomar posse de suas terras, divididas anos ates através do tratado de Tordesilhas com a Espanha. Sem muito interessa na nova terra o líder da expedição rumou as índias deixando poucos soldados que não conseguiram dominar o litoral o que fez com que holandeses e franceses entrassem na nova terra. 
Os franceses diferentemente dos espanhóis decidiram fazer comércio com os índios além de estabelecerem relações político sociais, mas nem todos das tribos acreditavam em acordos.

A taba Poti era uma das maiores na região e por muito tempo manteve um relacionamento pacífico com os franceses mesmo não confiando no homem branco, porém em uma armadilha criada por Ussu Ypau para o cacique, o mesmo é morto pelos brancos junto com seu cunhado e sendo seu neto um curumim de pouca idade o novo cacique passa a ser o próprio Ussu, assim como planejou desde o início. Percebendo que algo está muito errado o Pajé da tribo pega o neto do cacique e foge para outra taba afim de protegê -lo.
- Enxugue essas lágrimas, curumim, e venha me ajudar a juntar as coisas - fala o velho.
O menino passa as costas das mãos nos olhos para secar o choro e pergunta sem entender: - que coisas?
- As minhas e as suas.
- Por quê? A gente vai para outra oca? - Pergunta Kaluanã
Mais de 7 anos se passa e quando Kaluanã já está adulto e o Pajé já bem velho o senhor decide contar toda a verdade a ele. Kaluanã é na verdade o neto do cacique Giguaçu o verdadeiro cacique da tribo Poti, o menino foi deixado pelo pai com o pajé pois estava preocupado com o que poderia acontecer, mas antes de ir fez o Pajé prometer que se ele não voltasse, deveria tirar o menino da aldeia e terminar de criá -lo até que ele esteja seguro. Ele não confiava em Ussu Ypau e estava desconfiado que algo ruim iria acontecer naquele encontro.

  - Então ele matou meu avô e meu pai? - Pergunta Kaluanã agitado.

Após saber toda a sua história de vida, Kaluanã retorna a sua tribo de origem disposto a tudo para vingar seus entes queridos e também disposto a reconquistar o que é seu por direito, além de proteger sua comunidade das ameaças recebidas pelos portugueses e franceses. 




Conheci o autor através de um grupo literário em que faço parte  e quando vi o livro fiquei bem interessada em resenha - lo. Eu já amo livros nacionais, com o enredo 100% nacional também ai me ganha fácil. O fato de o autor ter se preocupado em escrever um romance que se passa na época do "descobrimento" do Brasil me deixou muito intrigada.  
E incrível ver o quanto nosso país tem história e cultura para serem exploradas e quase não são, esse livro mesmo trouxe como diferencial a história contada através do olhar indígena e gente, que coisa mais linda. Os sentimentos de um povo que só quer viver em paz, nas suas terras assim como era antes, o medo do desconhecido, e tudo tão bem trabalhado que você fica imerso aos acontecimentos, eu me senti lá na taba sofrendo com a guerra, sem entender porque os brancos reagiram daquela forma.
O que ajudou muito na construção belíssima deste enredo foi o trabalho de pesquisa feito pelo autor. Temos um mapa explicando o Tratado de Tordesilhas, temos palavras indígenas levemente adicionadas no enredo e claro com seu Glossário no final, temos também toda a bibliografia no fim da obra para quem tiver interesse em conhecer mais sobre tudo o que aconteceu neste período.

A narrativa é sucinta, leve e escrita em terceira pessoa, temos participação ativa de vários personagens mas o foco mesmo é o Kaluanã. Não vi problemas graves, as únicas coisas que me incomodaram foi o fato de as mudanças entre núcleos de personagens ficou mal dividido causando confusão e também quando há um salto temporal na história a mesma acontece abruptamente e você tem que ler um pouco mais para entender essa mudança. 
Sobre o livro: A capa é interessante e apesar de eu ter curtido a ideia não gostei muito da forma como foi desenvolvida, mas claro isso é bem pessoal. As folhas são amareladas e cada começo de capítulo tem um desenho característico dos índios, a fonte está confortável aos olhos e vi poucos erros de português.

Para finalizar gostaria de parabenizar o autor pela obra maravilhosa e por investir em um enredo mostrando nossa cultura e história com uma maestria incrível.

Até a próxima resenha
Beijuh da Rêh

Nota 4 




21 comentários:

  1. Nunca li um livro que abordasse índios na época do descobrimento, então acho que seria bem interessante a leitura. Mas que chato essas mudanças de núcleo e saltos temporais, espero que o autor melhore em próximos livros.
    Valeu pela dica!

    Virando Amor

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  2. Olá!
    Nunca tinha visto esse livro e achei a trama interessante até por trazer a vida indígena, me lembrei o tempo da escola.. Porém não é o livro que eu pegaria para ler no momento, mas em todo caso gostei de conhecer a sua experiência com essa leitura.
    Beijos!

    Camila de Moraes

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  3. Olá!
    Nunca li um livro como esse e assim como você fiquei bastante intrigada. Genial essa ideia do autor! Um enredo mostrando nossa cultura e nossa história. A capa não é tão convidativa, mas a história sim e chamou bastante atenção. Obrigada pela dica!
    Bjos

    www.momentosdeleitura.com

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  4. Oie!

    Faz muito tempo que não leio um nacional, e essa obra parece ser bem interessante, mas não despertou completamente meu interesse, acredito que quando eu estava no ensino médio a obra teria tido seu apelo para a leitura e até troca de informações com minha professora, mas agora passo a dica!

    Bjss

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  5. Oii, tudo bem?

    Que legal esse livro! É a primeira vez que leio sobre ele... Não conhecia. O Potiguar me pareceu bem interessante, uma pena essas mudanças serem tão abruptas, acho que iria me incomodar também. Mas de qualquer forma já anotei a dica para procurar depois :D

    Beijos

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  6. Olá! Nunca li um livro sobre a história indígena, gostaria de ler e saber mais sobre esse povo que foi/é injustiçado em sua própria terra. Gostei da resenha e realmente a capa não me chama muito a atenção, a ideia é boa, mas poderia ter sido melhor desenvolvida, talvez em aquarelas, ou o índio de costas... sei lá! Beijos

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  7. Este ano eu pretendo ler mais literatura nacional. É uma meta que estabeleci e fiquei muito interessada nessa história. Sempre gostei muito de histórias indígenas, mas os livros que li eram de literatura estrangeira, o único nacional foi O Guarani e não é tão focado assim nos índios.

    Enquanto lia sua resenha me sentia de volta às aulas de História no colégio. Saudades imensas daquela época em que eu podia simplesmente estudar, ser apaixonada por aprender sem ter outras obrigações.kkkkkkk...

    Bjs!

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  8. Oi!
    É tão bom quando lemos um livro nacional que dê foco para a nossa cultura e ainda seja bem escrito... Esse ano, o desafio do meu blog é ler mais livros nacionais e estou adorando cada um que estou lendo. Precisamos parar de só enaltecer a literatura estrangeira, pois temos muita coisa boa aqui.
    Esse particularmente não me chamou muita a atenção, mas acho muito importante termos obras desse tipo.
    Bjss

    http://umolhardeestrangeiro.blogspot.com.br/

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  9. Olá, semestre passado estudamos bastante a literatura indianista brasileira e sempre problematizamos livros sobre indios de autores como José de Alencar e como pouco existe algo escrito vendo o lado do indigena diante de tudo que aconteceu então esse livro me parece uma leitura maravilhosa, dar voz a aqueles de quem ela foi tirada, eu amaria ler esse livro.

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  10. Não conhecia a obra, mas gostei de conferir suas impressões sobre ela. Até me interessei em ler, acredita! Na realidade, adoro obras nacionais e quando retratam nosso país, melhor ainda.

    Bexus @leitoraconectada

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  11. Amei o enredo, parece bem diferente e que nos traz grandes aprendizados através de uma obra envolvente. Achei incrível trazer a visão dos indígenas, e tanta pesquisa interessante feita pelo autor. Vou colocar na lista de futuras leituras.

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  12. Olha, bem interessante a obra. Embora eu ache que não vá gostar muito, mesmo assim eu vou anotar a dica porque conhecer mais do nosso Brasil é sempre muito importante.
    E dar uma chance para os escritores nacionais também.

    Beijinho! Parabéns pela resenha

    #Ana Souza
    LiteraKaos!

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  13. Oi, tudo bem?
    Julgando o livro pela capa, não compraria. E ao ler a resenha, confesso que por mais interessante que possa ser, não me atraiu para leitura. Não faz muito meu tipo por ser completamente diferente do que estou acostumada, apesar de ser uma boa ideia quebrar minha rotina. Adorei a resenha e o seu blog. Beijos

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  14. Oiee!
    Então, eu sou do grupo que: primeiro a capa, depois a sinopse e por fim o livro. Kkkk
    Completamente errada, mas enfim, apesar de gostar muito de livros que falam sobre nossa cultura não sei se leria esse livro.
    Sua resenha está muito interessante, mas dessa vez passo a dica.

    Beijos
    www.manuscritoliterario.com.br

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  15. Olá!!!
    Adorei a sua resenha e fiquei muito curiosa para ler o livro que se passa no período de descobrimento do nosso país!!! Não é o tipo de livro que pegaria para ler porque não estou habituada a esse gênero!!!
    Mas esse ano estou me propondo em ler livros de gêneros que não estou habituada!!!
    Parabéns pelo blog e pela resenha!!!
    Bjks!!

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  16. Olá Rêh!!!
    Eu já fiquei bem intrigada com o livro quando me deparei com a capa do mesmo e fiquei bastante contente quando vi que o autor tratou de um tema não tão tratado em nossas obras.
    Achei muito bacana ele ter pesquisado para construir o enredo e de todas as coisas extras que o livro traz e nos auxilia.
    É uma dica para ser anotada!!!

    lereliterario.blogspot.com

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  17. Olá, tudo bom?

    Confesso que não conhecia o autor, nem muito menos a história, mas fiquei encantada com a sua resenha. A capa não me chamou a atenção e eu passaria desapercebido por mim, mas com o que você contou da obra, a minha vontade de ler foi aguçada.
    É legal ver que há autores que estão dispostos a contar a nossa história, sabe? Acho que o Brasil é um país rico de cultura e costumes, então é ótimo ver isso sendo descrito em livros. Além disso, contar sobre a época da descoberta do nosso país e o autor teve o trabalho de fazer uma pesquisa, só mostra o cuidado que ele teve ao criar esse enredo. Espero conseguir ler logo <3

    Enfim, adorei a postagem e agradeço a indicação :)
    Abraços.

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  18. Nossa, que bacana que o livro se passa na época do descobrimento! E esse forte teor indígena também é interessantíssimo. Adoro quando a gente consegue perceber o trabalho de pesquisa do autor, ainda mais em um livro tão particular assim.
    Assim como você, não curti muito a capa, mas achei que combinou com a história.
    Enfim, o autor está de parabéns mesmo!

    Beijos
    - Tami
    http://www.meuepilogo.com

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  19. Olá, amei conhecer esse livro através da sua ótima resenha. Achei a premissa da obra interessante, com o personagem lutando para ter de volta o seu lugar de líder, além é claro de termos indígenas como protagonistas.

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  20. Olá Reh,
    Eu não conhecia esse livro, mas achei a capa dele muito interessante, confesso. Fiquei muito contente por você ter gostado da história e por a história ser sucinta e leve, entretanto, eu achei bem ruim a questão de pulos abruptos na história, mas acho que posso até curtir essa leitura.
    Vou anotar a dica.
    Beijos!

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  21. Olá! Tudo bom?

    Ainda não tinha ouvido falar da obra ou do autor. Confesso que não gostei da capa, mas consigo entender o porque dela, o que é importante. Diferente de você eu não sou muito adepta ao enredo 100% nacional, apesar de achar interessante. Fico contente que tenha gostado tanto da obra mas não tenho certeza se leria :/ Mas a sua resenha está incrivel, de verdade ♥

    Um beijo

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