Resenha: Filósofo Suicida

Título: Filósofo Suicida
Autor: Leonardo de Andrade
Editora: Em Foco
Páginas: 208
Ano: 2017

Livro recebido em parceria com o autor Leonardo de Andrade.

Oi, pessoal! A resenha de hoje é de um livro bem diferente. Filósofo Suicida é uma mistura de muitas coisas: romance, aventura, um pouco de fantasia, gatos fofos.. tudo isso regado a boas doses de humor crítico e filosofia barata (ou não).

Quando conheci Lars Justino, o sujeito tinha pontinhas brancas nos cabelos e uns fiapos quase invisíveis delatando a loucura em sua pobre alma nada sonhadora. De fato, era uma figura bem típica dos covis de malucos e covardes e mais malucos. Porém, não era um covarde, nem maluco (tudo bem, um pouquinho), pouco corajoso, mas bravo igual leão.
Não contei a parte mais estranha: era imortal.
Lars tinha vivido muitos séculos, andado por muitas terras, conhecido gente mais estranha, e falava todas as línguas, menos inglês. Entre todas as épocas, sua favorita era a Guerra Fria e o início dos anos oitenta. Conheci esse sujeito há longos 17 anos, quando eu mesmo não tinha bigodes brancos e não estava cego de um olho. Disse-me estar vivo há exatos 2000 anos, cinco meses, quatro dias, três horas, dois minutos e um segundo.
Não acreditei. Você acreditaria?
O conheci por puro acaso. Tudo porque um dia, sem mais nem menos, Lars Justino ficou cansado de ser imortal e embarcou em busca da morte. Se está procurando uma narrativa concisa, inteligente, consistente e toda bonitinha, advirto-o: pegue outro livro. Este aqui é recomendado para os mais problemáticos.

O livro narra a história de Lars Justino, um imortal que sonha em encontrar a Verdade e dar cabo de sua infeliz vida eterna. Em sua jornada ele conhece Anna Anedota, uma moça cuja alegria é contagiante e que está disposta a ajudar Lars: ela conhece um cara que conhece um cara que pode levá-los até Inferno, onde Lars comprará sua Verdade.

Esse cara que conhece um cara é o tio Genghis, que era pobre, mas vendeu a alma ao Diabo para ficar rico e ter tudo na vida. Ao contrário do que se possa pensar, tio Genghis é um homem bom, só assinou o contrato com o coisa ruim para poder dar uma vida melhor para a amada sobrinha Anna e para o povo pobre de Abismal, cidade onde vive. Certo é que o Diabo deu trinta anos ao tio Genghis e esse tempo está chegando ao fim, mas o homem descobriu que existe uma arma capaz de matar o tinhoso. A Arma das Armas é capaz de matar qualquer coisa, inclusive um imortal.

Sendo assim, partem Anna Anedota, com o Senhor Gato sempre ao seu ombro, Lars Justino e Cegonha - o cara conhecido do cara que é o tio Genghis -, em busca da Arma: Anna para o tio e Lars para si mesmo.

Ah, o lugar onde eles vivem é a grande nação Amarelo, vizinha do Brasil.

São 200 páginas de muitas aventuras, em que muitos personagens aparecem e contam suas histórias. Lars e Anna descobrem o amor um pelo outro em meio às sutis - ou nem tanto - críticas ao sistema e ao mundo globalizado e capitalista.


"[...] Seu olhar, sempre atento, sempre frio, buscou o rosto daqueles infelizes. Estavam andando de cabeça baixa, os olhos pregados em uns aparelhinhos quadrados cheios de luzes. Nem se falavam, nem se olhavam, nem nada. Quando alguém andava demais e caía da ponte... Bom, azar o desse cara. Tira-se uma foto."
p. 17

"[...] Nas sarjetas, dividia o pão com crianças sujas, maculadas de miséria, cheias de larvas corroendo suas feridas e vermes na barriga, enquanto, no outro lado da rua, passava o patrão com sua carroça de ouro e os dentes postiços".
p. 57

"[...] Para que pensar? Pensar cansa, minha gente! Mas o povo, insatisfeito, continuava dizendo que não tinha de comer, que a moeda estava inflada, que tinha gente morando na rua em condições desumanas. [...]
p. 141

Anna é uma personagem que cativa todos à primeira vista, tanto os outros personagens quanto o leitor. Lars Justino, mesmo com seu jeito sisudo, nos conquista também. É um livro bem diferente, diferente de tudo o que você já leu.

O autor escreve de forma impecável, e mesmo usando uma linguagem mais formal, em momento algum a leitura é confusa ou complicada. A revisão está impecável, mas a diagramação do livro, infelizmente, não foi bem feita. Não é algo que atrapalhe a leitura, só não ficou esteticamente muito agradável. A capa, por sua vez, em bem chamativa, muito bonita, e o material utilizado na confecção do livro é muito bom também.

É um livro que eu recomendo a todos, pois tem mensagens e críticas o tempo todo, tanto explícitas quanto nas entrelinhas, atreladas a uma escrita divertida e uma história cativante.

Creio que uma das maiores mensagens do livro é o fato de que o amor supera tudo, ou que o amor é mais importante que a Verdade ou que o amor é a própria Verdade.

Beijos e até mais!

NOTA 5

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