Resenha: Mulheres que não sabem chorar

Título: Mulheres que não sabem chorar
Autora: Lilian Farias
Editora: Giz
Páginas: 210
Ano: 2016



Livro cedido em parceria com a autora.







Sinopse:
A vida de Marisa é regida pelo controle. Seja à frente do seu trabalho ou da vida dos filhos, ela é racional, mantendo-se sempre fria, um ser à parte das banalidades, cuja única preocupação é ser um exemplo. Olga é sua antítese. Sentimentos à flor da pele, dor flagelando a carne, pensamentos embaçados pelo esquecimento proporcionado pelo álcool. Sozinha, preocupa-se em apenas ser, em um mundo cercado por fatos que não reconhece mais como seus. Enquanto isso, Ana e Verônica esbarram com o acaso.
Duas senhoras solitárias, vizinhas e antagônicas. Será que um dia alguém acharia que poderiam viver em paz? Mais ainda, será que poderiam se apaixonar? Duas jovens livres e independentes. O que as impede de ficar juntas?
Mulheres que não sabem chorar é mais que uma história de amor entre iguais. Junto a estas personagens tão humanas, o leitor vê-se despido dos preconceitos, pudores e medos. Ora crua, ora poética, a trama nos obriga a enfrentar o espelho e se ver como nunca imaginou antes. Pois ao mergulhar neste romance, o que fará você pensar não é a forma como vê o amor, mas sim a forma com que ele se volta em sua direção. Esteja preparado.

Neste livro vamos conhecer a história de três mulheres Olga, Marisa e Ana. Olga é uma alcoólatra, passou por muita coisa que a levou a isto, mas com essa escolha ela perdeu a chance de ficar com sua filha e vê-la crescer. Agora, após a morte da filha, Olga jurou fazer de tudo para tentar abandonar a bebida. 
“O modo impulsivo com que trocava de namorados não era uma certeza do que queria, era apenas para ter o que dizer nas rodas de conversas familiares, que ela alimentou até a morte dos pais. Não aceitava ser vista pelas mulheres casadas como a pobre viúva. (página 27)”
Marisa é uma mulher de temperamento muito forte, sofreu muito quando criança, o que a levou a ser o que é hoje, fez muitas escolhas erradas na vida, mas continuou sempre em frente vivendo à sua maneira. Viúva e mãe de dois filhos crescidos, não entendia o quanto eles eram importantes e percebeu que gostava de ser mãe apenas quando seus dois filhos viajaram em um intercâmbio e ela se viu só.
''Marisa privou-se de sentir e tentou compreender o incompreendível, e murchou mais que floresceu. Ela amava as flores, mas as incompreendia na essência, julgava demais, tinha verdades demais, o tempo era uno e foi incapaz de refletir sobre as realidades que a cercava.''

Ana é uma jovem com uma carga de vida igualmente pesada, sofreu muito quando mais nova e isto a transformou em uma mulher independente e defensora de causas socias, adora ajudar o próximo, porém não tem uma convivência boa com a mãe nem com o irmão e odeia seu pai com todas as forças.
O mais engraçado é que sempre tive medo da solidão, e esse medo é que me mantinha só.
Por ter uma vida complicada, Ana se torna uma mulher bem fechada e que não se relaciona muito com outras pessoas, porém, quando em meio ao uma crise de choro uma mulher vem ajudá-la, Ana se desarma e deixa que esta completa estranha fique consigo pelo menos um pouco. Mais  tarde descobre que a moça se chama Verônica e que é caixa de um banco que ela frequenta sempre. Com isso as duas acabam se tornando amigas, mas Ana sente-se atraída por Verônica, que também é lésbica, mas casada, sendo assim o romance entre as duas torna-se praticamente impossível.

Olga e Marisa são vizinhas que se odeiam, Marisa tem nojo de Olga e da forma com que ela vive sua vida, por esse motivo sempre arruma um forma de humilhá-la e provocá-la. Porém em uma noite que tinha tudo para ser comum, Marisa ouve um grito na rua e quando vê Olga em uma situação terrível não pensa duas vezes antes de resgatá-la. Marisa a leva para casa para protegê-la e cuidar dela e é a partir daí que as duas se tornarão amigas e talvez até algo mais. 



Em Mulheres que não sabem chorar, vamos entender um pouco do cotidiano de mulheres que são vítimas de preconceitos e abusos pelo simples fato de serem mulheres.

Este livro é muito profundo, traz uma carga emocional muito forte, e o fato desse enredo ter sido montado através de relatos reais de mulheres que passaram e ainda passam por essas situações, faz tudo ficar mais intenso.
''...Esta sociedade não nos dá espaço, pois vive rotulando a vida de todos e doutrinando a maneira de como as pessoas têm que viver...''

A escrita da Lilian é muito poética e reflexiva, a cada página me via em alguma situação parecida com a personagem e entendia perfeitamente o que ela estava sentindo.

Apesar de se tratar de uma história com tema principal homossexual, o livro tem passagens que retratam o cotidiano de mulheres héteros que direta ou indiretamente passaram por alguma situação de desvalorização e machismo.

"Duvidam muito das mulheres, fazem piadas e nos chamam de sexo frágil. Mas quem já experimentou a força de uma mulher ferida sabe a dimensão da nossa astúcia."

Os personagens são muito bem trabalhados e me vi amando Olga, por mais que ela parecesse ser a pessoa mais fraca, ela de longe era a mais forte, e ver ela sofrendo e tendo recaídas ao longo da história doeu meu coração.

A escrita da autora é fantástica, fiquei apaixonada com o tema e com a forma com que a autora tratou essa história.

Não achei muitos erros de português, mas em um dos capítulos do livro há uma confusão quanto ao nomes dos personagens. Os capítulos têm nome de flores e o motivo disso descobrimos no final e é lindo.

Adorei a capa e a diagramação e curti muito o título da obra.

Recomendo muito a leitura, principalmente para as pessoas de mente aberta que sabem ver o amor nas mais diversos formas!

Até a próxima resenha
Beijuh da Rêh

Nota 5

1 comentários:

  1. Olá! Fiquei bastante curiosa para conhecer essa história. Deu para perceber que tem uma boa carga dramática e também que é uma história bonita, apesar de saber que muitas mulheres sofrem no cotidiano. A capa está bonita, obrigada pela dica, beijos!

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