Resenha: A Morte E Os Seis Mosqueteiros

Título: A morte e os seis mosqueteiros
Autor: Anatole Jelihovschi
Editora: Jaguatirica
Páginas: 140
Ano: 2015





Livro cedido pela editora Jaguatirica para resenha






Sinopse: Em seu novo romance policial, Anatole Jelihovschi mergulha fundo no cotidiano das infâncias perdidas, dos relacionamentos partidos, das oportunidades que tantos ainda acreditam distantes demais da realidade.
A morte e os seis mosqueteiros é a história de seis garotos muito amigos de uma favela. Quando crianças, tudo era uma grande brincadeira. Os meninos gostavam de se imaginar nos mundos de capa e espada, ou na peça ‘O fantasma da ópera’, mas na verdade moravam em uma favela violenta, com bandidos e policiais trocando tiros e matando gente. Ainda quando a infância sequer os havia deixado, a violência e o tráfico na comunidade em que viviam, de uma forma ou de outra, acabariam por envolvê- los em uma teia de morte, assassinando seus sentimentos, valores e, principalmente, sua amizade.

A morte e os seis mosqueteiros conta a história de Zequinha e seus 6 amigos da infância. Com exceção de Julinha todos moravam na favela, lá eles brincavam de Os Três Mosqueteiros e O Fantasma da Ópera, eram muito unidos e essa união os faziam superar todas as adversidades.
“O nome veio daquela história dos três mosqueteiros que viviam do outro lado do mundo na época em que existiam fadas, bruxas e reinos encantados. A professora leu o livro para a turma [...] A gente não se cansava de olhar para aquelas páginas com gente vestida tão bacana. E tinha aquele negócio de um por todos e todos por um.”
Conforme a história avança vamos acompanhando o crescimento dos amigos e suas escolhas de vida. Primeiro todos decidem que escola não presta para nada e decidem para de frequenta - la, depois os amigos vão se afastando uns dos outros e começam a ir para o lado da criminalidade.
“Na favela não existe futuro, não. [...] Ninguém estuda para se formar doutor ou casar com garota rica, ganhar dinheiro e essas coisas todas. A gente precisa botar comida em casa, e é só. É isso hoje, vai ser isso amanhã. [...] Por isso esse negócio de morrer com dezessete, vinte e cinco ou oitenta anos, dá tudo na mesma. Ninguém tem futuro pela frente mesmo, e não se perde nada ao se morrer jovem aqui.

Zequinha que é o narrador da história, vendo que seus amigos estão seguindo um caminho que ele não concorda, resolve se afastar deles. Quando os reencontra descobre que eles viraram bandidos, que inclusive tentam persuadi -lo para que siga o mesmo caminho. Contudo, Zequinha sonha em voltar a estudar, arrumar um emprego bacana e sair definitivamente da favela.
A Favela não seria um lugar ruim de morar, não fossem os bandidos e  policiais trocando tiros, ou fazendo arruaças. A gente tem que manter distância dos dois.




Recebi este livro da Editora Jaguatirica e assim que li a sinopse já fiquei interessada na obra. O motivo: o Autor estava retratando o cotidiano de uma favela da uma forma totalmente diferente, através dos olhos de uma pessoa que não aceitará ser corrompido pela criminalidade.
O livro é um tapa na cara da sociedade, daqueles que não acreditam que o ambiente onde vive pode transformar a vida de uma pessoa seja para o bem, ou para o mal. Neste livro, mostra a luta de Zequinha dia após dia, para evitar a criminalidade e que mesmo que ele não queira é jogado neste mundo, o tempo todo, quando uma amigo morre, quando um bandido implica com a sua cara e até mesmo quando um policial cisma em matar qualquer jovem que vê pela frente pelo simples fato de " se mora na favela, é bandido".
E não pense que a polícia não estava presente. Só não entraram no cemitério porque tinha imprensa ali e a situação ficou tensa. Eles afirmaram para os jornais que os quinze mortos eram bandidos. Isso causou revolta na favela. Eu próprio dei entrevista para um repórter, mostrei a carteira de trabalho do meu irmão. E não fui só eu. Veio o gerente do supermercado, muitos amigos do Tonho e do Mocotó, falando só dos que eu conhecia. Todos foram firmes em dizer que os quinze eram homens corretos e honestos, incapazes de roubar. E ai a imprensa caiu de pau.
O livro é escrito em primeira pessoa, pelo ponto de vista de Zequinha. O livro tem uma linguagem bem simples, claro, retratando o modo de falar dos moradores da favela onde muitos não tem estudo.
E apesar de conter temas pesados de violência, mortes, abuso sexual, o autor trabalhou essas partes com muitos detalhes, com isso a história não ficou pesada e até mesmo pessoas que não gostam de ler sobre violência, conseguirá fazer a leitura sem se sentir mal.
O Enredo é rico, tem ação mistérios e mortes e o final é totalmente inesperado e arrasador, mas que prova que o que estamos lendo, é uma história que conhecemos bem, que faz parte da nossa sociedade.
A diagramação está ok, não encontrei nenhum erro, porém a capa achei que não retrata a história como ela é, por isso prefiro a nova capa que a editora irá lançar ou já lançou (realmente não tenho essa informação, sorry).
Eu recomendo muito este livro, ele é bem realista e te prende do início ao fim.


Até a próxima resenha
Beijuh da Rêh

Nota 5




7 comentários:

  1. Oi Rêh. Nunca li nada ambientado na favela (que eu me lembre) e tenho muito interesse. Tbm penso que essa coisa de que se cresceu no meio da criminalidade tem que virar bandido, mentira. Eu acredito que tudo depende do caráter da pessoa. Aqueles que tende a um lado ou outro fazem suas escolhas. Quantos mendigos vemos por ai que preferiram ficar sem moradia ao invés de roubar? Enfim... fiquei curiosa para ler. Beijos.

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  2. Oie amore,
    Dessa vez vou passar a dica, seja por nada ter me atraido, desde a capa até a história em si.
    Pode ser que num outro momento eu mude de ideia...
    Sua resenha está impecável e as fotos lindas, parabéns. Ainda assim não acho que seja o momento propício pra eu ler esse livro.

    Beijoka!

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  3. Li esse livro no book-tour ano passado. É um senhor tapa essa história! A narrativa é simples, mas ao mesmo tempo rebuscada nas tramas e no desenrolar da vida de cada amigo. O final foi totalmente inesperado e lembro de ter ficado: minha nossa!!! Também não gostei muito da capa marrom na época por simplificar demais um enredo tão primoroso. Nem cheguei a ver a nova edição, darei uma olhada. Beijo!!!

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  4. Por ser um romance policial eu já quero!
    Achei muito interessante o contexto em que a história se passa, pois não vemos muito em livros nacionais (que eu conheça). Bem sabemos que os jovens da favela São sempre marginalizados, e é muito bom o autor mostrar que não importa o lugar onde se mora e sim nosso caráter. Fiquei curioso para conhecer o desfecho da história, porém imagino o final (por provar a tanto a realidade). A capa realmente não é muito legal (rsrsrs) , que bom que virá com outra capa! Beijos !!

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  5. Olá! A premissa é bem legal, mas não é o tipo de leitura que curto. É a primeira vez que vejo uma história que se passa na favela, algo criado nesse ambiente. Muito legal o autor mostrar que não é por que você nasce em favela, já vai para o mundo do crime. mostrar um outro lado de muitos moradores. Parabéns pela resenha, beijos!

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  6. Oiê...
    Li um livro nacional onde o autor fala da realidade da favela e não é porque se mora lá que será um bandido, tem pessoas, que querem e buscam uma vida diferente, mas infelizmente as coisas vão acontecendo e muita coisa pode mudar. Eu curti a premissa deste livro, parece que mostra a realidade de uma outra forma, mas sem deixar a parte crível de lado. Gostei muito da forma como expôs a sua opinião. Xero!

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  7. Oi, tudo bem?
    Já me interessei muito pelo livro! Adoro história que falam dos problemas sociais do país e denuncia a pobreza, e gostei mais ainda por saber que o livro é narrado por alguém que não aceita se corromper. Parabéns pela resenha!
    Bjs!

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